sábado, 8 de maio de 2010

Contra a tutela… outra tutela

Sessenta anos antes de Max Stirner (e seis anos antes da Revolução Francesa), Kant escreveu: “Esclarecimento é a saída do homem de sua menoridade, da qual ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade de fazer uso de seu entendimento sem a direção de outro indivíduo”.

Max Stirner tem umas tiradas que me surpreendem. O pensador é de uma sagacidade simples que me faz lembrar dos arroubos intelectuais simplórios, mas sólidos, com os quais as crianças às vezes nos colocam em situações delicadas.

Tratando do universo filosófico, ideológico e político da Europa no pós Revolução Francesa, o filósofo me vem com a seguinte análise (interpretação minha): o Estado da burguesia zela por seu ideário; o ideário correto, racional. Só os cientes desse ideário, que o assimilaram de forma consistente podem ocupar os postos de produção e reprodução das idéias, são eles também os encarregados pela censura e seleção do que é ou não é correto, ou seja, racional. Esse ideário correto abrange a universalização da razão e da moral racional, pensante, introjetada feito uma vacina que se dá às massas. Na dinâmica da universalização sistêmica, virulenta da razão como "ideal correto", tudo é assimilado: o feio à arte, a religião e seus sacerdotes ao novo quadro político... A única exigência é a do respeito irrestrito à razão. Os liberais não suportam a “má educação”, logo, não aceitam a autodeterminação, as veleidades individuais, o autodidatismo, etc. No seu zelo pela razão, os liberais querem educar, querem, mais uma vez na história… tutelar.

P.S. Max está postado na metade do século XIX quando escreve “O Único e a Sua Propriedade”, portanto, vê e vive tanto a industrialização galopar, quanto vê (e vive, uma vez que lecionou) o ensino técnico-científico dominar as escolas alemãs, na marcha pela universalização da educação.

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